Diário

Entre estudos e reflexões, o cuidado.

Reflexões curtas sobre presença, relações e o cotidiano da terapia. Um caderno aberto — para pensar em voz alta.

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Ago 2026 · 3 min

Carta - Pequeno desabafo

Texto fictício, medo e indignação reais.

Se por acaso morri através de um feminicídio, primeiro gostaria de dizer, em minha defesa, que não sou culpada.

Não me meti em lugar nenhum ou dei abertura para ninguém me mat4r ou estupr4r. Simplesmente estava vivendo e acreditando, com certa malandragem, nas pessoas que me rodeiam.

Até porque, sou muito medrosa e sei que alguns privilégios me protegiam, por ter sido branca ou por me locomover em carro próprio. Mas fui uma mulher e não há lugar nem hora segura nessa condição, basta estar vivendo.

Já quero agradecer a todos e todas, principalmente todas, que lutam, lutaram e lutarão contra o que vivi.

Me sinto culpada por não ter aprendido, espero que minha mãe não se decepcione, pois ela, sem querer, e quase indo antes de mim, me ensinou sem a menor intenção de fazê-lo.

Se foi assim que morri, quero muito receber quem assim morrer também, seja lá onde estiver. Acolher com um abraço, lembrar que a culpa está nele e em uma sociedade inteira que deu errado.

Espero que minha filha não tenha o mesmo azar e que minhas descendentes consigam me encontrar trazendo boas notícias.

Quero dizer por fim, que ainda tinha muitos sonhos e que sempre amei a novidade, aquilo que encanta, coloca de cabeça para baixo o normal e entusiasma.

Amei viver.

*texto fictício, medo e indignação reais.